Programamos essa trilha com antecedência, mas durante a
semana o tempo ficou fechado, ora chovia, ora fazia sol e assim foi nos três
dias que antecederam a trilha. Chegamos até a cogitar remarca-la, mas
mantivemos a data. Já tínhamos reservado o ônibus para nos trazer de volta.
Posso dizer que foi um festival de previsões do tempo. Acho que nem a mãe Dinah
teria tantas previsões assim. Todas elas diziam que choveria, uma com mais de
25 mm, outra com 2 mm de chuva, entre outras tantas com raios e trovoadas, outras
apenas uma garoa e névoa. Foi meio tenso ter tantas previsões assim. No final
não caiu chuva nenhuma para a alegria geral.
Essa trilha se inicia em
Paranapiacaba e desce até Cubatão. Ao todo foram 15,6 km de mata fechada,
mirantes, corredeiras, barrancos, alguns abismos, pedras escorregadias e vários
quilômetros caminhados por dentro do Rio Mogi.
Originalmente essa trilha era
conhecida como Trilha dos Tupiniquins com alguns registros históricos datados
de 1528. Começava em São Vicente percorrendo as margens do Rio Mogi até
Paranapiacaba. Ao longo dos séculos foi trocando de nome e hoje é conhecida
como Trilha Raiz da Serra do Mar. Algumas referências históricas dizem que essa
é a primeira trilha utilizada pelos europeus em São Paulo e foi o único meio de
ligação entre o litoral e o planalto paulista.
A Trilha dos Tupiniquins passava
pelo território dos Tamoios que eram inimigos dos portugueses e dos tupiniquins
o que deixava o caminho muito perigoso. Em 1560 o Padre Anchieta abriu uma nova
trilha paralela na serra. Séculos mais tarde os ingleses a utilizaram para
construir a primeira ferrovia de São Paulo. Hoje o Parque Estadual Serra do Mar
protege um pequeno trecho original dessa trilha.
Foi uma trilha e tanto. Em alguns
trechos passamos por uma pequena parte de calçada de pedra que lembrava muito
um trecho da Estrada Velha de Santos, porém bem mais estreita. Foi muito
interessante passar por esse trecho, faz a gente pensar como foi dura e sofrida
a vida dos escravos que transportavam cargas pesadas subindo e descendo por
aquelas trilhas, e ao mesmo tempo também foi muito gratificante poder percorrer
esses trechos históricos.
Essa trilha não é nada fácil e
exige um bom preparo físico e resistência, mas também não é nenhum bicho de
sete cabeças.
Ela pode ser dividida em três
partes:
1 – trecho de mata fechada,
descendo a encosta até chegar ao Rio Mogi, foram cerca de 5 km de trilha saindo
de 830 m para 35 m de altitude até o leito do rio com muitos barrancos, abismos,
pedras soltas e vários mirantes;
2 – trecho de caminhada por
dentro do rio, foram aproximadamente 6 km de pedras lisas, correnteza e muitos
escorregões até a estação de trem abandonada dentro da COSIPA;
3 – finalizando em 4 m de
altitude do nível do mar e mais uns 4 km de caminhada entre a estação
abandonada e a saída da COSIPA onde pegamos nosso ônibus para voltar à
Paranapiacaba.
Ao todo foram 12 horas de
caminhada, respeitando o limite de cada participante e a segurança do grupo.
Fizemos algumas paradas no caminho para descansar e relaxar nos poços criados
pelo rio. Parecia até que foram criados como pontos de paradas estratégicas, o
que era muito convidativo para alguns mergulhos e para recarregar as energias.
Foi uma travessia daquelas que
vale cada metro andado na trilha. Ressalto o empenho do grupo que em todo tempo
foi participativo ajudando um ao outro nos momentos mais difíceis e a
experiência e o companheirismo do Ricardo e da Flavia que foram fundamentais
desde que surgiu a ideia de fazer essa trilha até a sua conclusão.
Claro que não podemos deixar de
agradecer ao nosso motorista Alex que além de nos trazer de volta em segurança
ainda trouxe uma revigorante caixa cheia de cervejas, sucos, energéticos, água,
refrigerantes, enfim... Valeu Alex!
Agora é se preparar para a
próxima aventura.
Obrigado a todos que participaram
e aos novos amigos que fizeram a primeira trilha com o Grupo Ação Natural
Trilheiros, bem-vindos sempre!
Até a próxima!
Parabéns Galera.
ResponderExcluirMuito bom.
abração.
Nossa como eu queria fazer parte!!!
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