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27 agosto 2016

8ª Etapa Caminho da Fé – Paraisópolis à Luminosa


Depois de uma longa pausa, dia 27 juntamos a turma para mais uma etapa da caminhada. Seguimos para a Praça da Igreja Matriz em Paraisópolis e de lá recomeçamos o trajeto.


Paraisópolis é a penúltima cidade mineira da rota. Ela é considerada a sexta maior cidade do extremo sul de Minas. A sua origem também está ligada a passagens dos tropeiros Paulistas assim como as cidades anteriores por onde passamos. Seu primeiro povoado foi formado na região em 1813. Em meados da década de 1820 surgiu a ideia da construção de uma capela em homenagem a São José, mas foi só em 1827 que o Imperador D. Pedro I autorizou a instalação da capela erguida com a denominação de São José das Formigas. A criação do distrito foi em 1850. Em 1872 foi desmembrado do Município de Pouso Alegre e em 1873 instalou-se a Câmara Municipal de São José do Paraisópolis. Só em 1914 a cidade recebeu o nome definitivo que mantém até hoje.


Passamos por suas ruas e avenidas até reencontrarmos as estradas rurais, consequentemente, subindo e descendo ladeiras. Paraisópolis é conhecida por suas montanhas propícias para prática de esportes de aventura, como voos de paraglider, asa delta, escalada, rapel... Além é claro, de inúmeras cachoeiras. Para nossa sorte passamos por duas com águas geladíssimas, mas muito bem-vindas para uma pequena pausa refrescante durante uma subida.


No meio do caminho passamos pelo Bairro do Cantagalo, mas não paramos para descansar, seguimos em frente rumo à Luminosa. A partir desse trecho vimos várias placas de trilhas e rotas no caminho indicando lugares para uma nova exploração mais detalhada. Precisamos voltar lá.

Durante esse pequeno trecho da rota, entramos e saímos do Estado de São Paulo cruzando as linhas imaginárias que dividem nosso Estado com o de Minas Gerais por algumas vezes, parecendo um verdadeiro zigue-zague no meio das montanhas.


Do alto da estrada conseguimos avistar Luminosa bem embaixo das montanhas. Lembrando algumas cidades europeias cercadas por montanhas em um folheto turístico, claro que respeitando suas devidas proporções e belezas.

No alto de uma das montanhas, mais precisamente no Pico dos Dias, está o Observatório do Laboratório Nacional de Astrofísica a 1864 m de altitude. Ele está entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu. Mesmo à distância já demonstra sua imponência atraindo nossos olhares e imaginação. Claro que ele também entrou para lista de lugares para visitar.


Por fim chegamos à Luminosa.

Luminosa é um Distrito de Brazópolis e lembra bem uma típica cidadezinha pacata no meio do nada cercada por muito verde e transpirando vida na sua essência. Vê-se que não mudou quase nada desde a sua criação na década de 1930 com o nome de Candelária. Em 1943 passou a ser chamada de Luminosa em homenagem a Nossa Senhora das Candeias.

Seguimos até a Igreja de Nossa Senhora das Candeias, fizemos algumas fotos da Praça central com a igreja ao fundo, carimbamos nossos passaportes algumas vezes no caminho entre Paraisópolis e Luminosa e para finalizar o dia paramos em um dos bares do Distrito para recarregar as energias gastas no decorrer da caminhada.


Rimos muito, subimos e descemos várias vezes pelas estradas que ligam essas cidades, tomamos banhos em cachoeiras com águas geladíssimas com direito a gritos de algumas pessoas que se divertiam testando a resistência do próprio corpo em um dia de inverno.

Agora é só aguardar a próxima etapa. Que venham as montanhas de Campista!

Até a próxima etapa pessoal!

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cláudia Melo, Cláudio Siqueira, Cris Senkiw, Gilson, Noemi e Giovana Lopes, Jane Ribeiro, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Marilice Ruy Carral, Omar, Rosângela Sotelo e Seu Carlos Tsuda.

05 agosto 2016

Convite para 1ª Passarinhada em Apoio ao Museu da Energia de Salesópolis

Museu da Energia de Salesópolis recebe evento inédito 
voltado à prática de observação de aves.

Ação, realizada pelo grupo “Amigos da Usina”, tem como objetivo chamar a atenção de patrocinadores sobre as potencialidades do Museu, que corre o risco de fechar as portas, para a prática do birdwatching.

No segundo sábado de agosto, dia 13, acontece a primeira edição do evento “Passarinhada em apoio ao Museu da Energia de Salesópolis”. Organizada pelo grupo “Amigos da Usina”, a ação acontece das 7 às 16h30 e oferecerá, além de palestra e orientações aos iniciantes da prática de birdwatching, sorteio de brindes e saídas guiadas para a fotografia e observação de aves nas trilhas do Museu da Energia. As atividades são gratuitas e voltadas a todos os públicos, com exceção do rapel na Cachoeira dos Freires, que será ofertado a preço promocional (30 reais). 

Composto por um parque de 150 hectares de Mata Atlântica onde está instalada a centenária Usina de Salesópolis, o Museu da Energia tem se consolidado como um importante ponto de encontro dos amantes de birdwatching. Desde 2012, mais de 280 espécies de aves já foram observadas, fotografadas e catalogadas no local, incluindo o recém-descoberto e já ameaçado de extinção bicudinho-do-brejo-paulista, pássaro endêmico do Estado de São Paulo. 


RISCO DE FECHAMENTO

A “1ª Passarinha” objetiva chamar a atenção da sociedade civil, e de possíveis entidades e empresas patrocinadoras, para o risco de fechamento do Museu da Energia de Salesópolis. Importante polo ambiental e socioeducativo da região do Alto Tietê, localizado próximo da nascente do rio, o espaço é gerenciado pela Fundação Energia e Saneamento, que passa por sérias dificuldades financeiras. No momento, a instituição, que busca articular e mobilizar novas parcerias e patrocínios, cogita um plano de reestruturação que inclui a suspensão das atividades do Museu da Energia de Salesópolis e das demais unidades de sua Rede, sem prazo definido. 

“Além de receber milhares de estudantes anualmente, que aprendem sobre como é gerada a energia hidrelétrica que chega às nossas casas, cumprindo um importante papel na formação de consciência ambiental das crianças, o Museu da Energia tem apresentado esse novo potencial. O possível fechamento do museu será uma grande perda não só para o turismo tradicional da região, mas para um novo público que busca áreas protegidas para a prática do birdwatching”, explica Elvis Japão, fotógrafo membro do grupo de observadores Amigos da Usina. 

Gerenciado por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o Museu da Energia depende, para a manutenção de suas atividades, da doação e patrocínio tanto de empresas e entidades mantenedoras e patrocinadoras - por meio de contribuição incentivada a projetos aprovados em leis de incentivo fiscal (Rouanet e ProAC) -, como de pessoas físicas, que podem participar do programa de benefícios “Amigos do Museu”, com a possibilidade de abatimento do imposto de renda. 


ORIENTAÇÕES 

A recepção aos participantes da “1ª Passarinhada em apoio ao Museu da Energia de Salesópolis” será realizada no estacionamento do Museu da Energia de Salesópolis. O visitante receberá, na chegada, uma senha que valerá para o sorteio de brindes. O café da manhã será comunitário, sendo cada visitante responsável por trazer seu alimento. No almoço, serão disponibilizados para venda, no local, refeições e lanches. 

TRILHAS: As saídas para as trilhas só poderão ser realizadas com o acompanhamento dos guias.


PROGRAMAÇÃO – SÁBADO, 13 DE AGOSTO DE 2016 

7 horas Início / Abertura / Recepção 
7h30 Café da Manhã 8 horas Comunicado, orientações e saída para Observação de Aves 
9 horas Atividade de Rapel na Cachoeira dos Freires (opcional) 
11 horas Pausa para Almoço 13 horas Palestra sobre Observação de Aves 
16 horas Sorteio de brindes e agradecimentos 
16h30 Encerramento das atividades 

SERVIÇO 

Evento “1ª Passarinhada em apoio ao Museu da Energia de Salesópolis” 
Sábado, dia 13 de agosto, das 7 às 16h30 

GRATUITO 

Endereço: Estrada dos Freires, Km 06 - Freires, Salesópolis – SP Informações: (11) 97091-1665 / 97548-4759 / amigosusinasalesopolis@gmail.com

Por Elvis Japão e Fernanda Souza de Jesus  

16 julho 2016

Passeio por Salesópolis

Passeio de última hora à Salesópolis para conhecer novas trilhas e roteiros.

Passamos no Museu da Energia construído em 1911 ele é a primeira Usina no percurso do Rio Tietê. O local é espetacular cheio de história, cultura e vida, valeu cada minuto lá dentro, pena que o Museu será fechado (espero que não) por falta de verba pública e interesse político em manter uma das principais atrações da cidade. Quem tiver interesse pode visita-lo até o dia 30/07. Estamos engajados nessa campanha para não fecharem o Museu.

Depois seguimos até a Cachoeira do Tobogã e o Pinheirinho. Voltamos para o centro da cidade e paramos na Praça da Igreja Matriz de São José, linda por sinal, recomendo a visita. Em seguida fomos até o Casarão Senzala, construção de Taipa de pilão e pau a pique do século XVII. Ela serviu por um tempo como ponto de repouso de comerciantes que, vindo da Capital e do Vale do Paraíba utilizavam esse local para comércio de escravos e alimentos.

Foi um dia especial, mas ainda faltou conhecer o Parque da Nascente do Rio Tietê.

Ainda faltou conhecer algumas cachoeiras por lá e a Nascente do Rio Tietê.





09 julho 2016

7ª Etapa – Caminho da Fé – Consolação a Paraisópolis

Dia 9 de Julho é um dia que traz muitas lembranças aos paulistas. Essa data é considerada uma das mais importantes do Estado de São Paulo onde lembramos com pesar e orgulho da Revolução Constitucionalista de 1932 ou Guerra Paulista para alguns, e foi nesse dia que literalmente “invadimos” os territórios mineiros para realizar mais um trecho da caminhada.


Logo que saímos da Rodovia Fernão Dias atravessamos a cidade de Cambuí para acessar as estradas que nos levariam ao início dessa etapa. Entre Cambuí e Consolação são aproximadamente 25 quilômetros de estrada de terra passando por sítios e fazendas, mas no meio do caminho paramos na Cachoeira Três Irmãos para começarmos bem o dia.

O lugar estava em reformas devido às chuvas fortes no mês anterior que destruíram todo o entorno do sítio com a força da correnteza. Ficamos ali por alguns minutos conversando com o dono do lugar que estava trabalhando para deixar tudo arrumado a fim de reabri-lo em agosto e voltar a receber visitantes.

Depois dessa pequena parada seguimos para Consolação.


“Consolação teve sua origem um pouco diferente da maioria das cidades do Sul de Minas. No final do século XVIII o senhor Francisco Borges de Castro recebeu do Governo Português uma Sesmaria, hoje correspondente ao município de Consolação em sua totalidade e parte dos outros municípios vizinhos. Alguns registros de 1824 revelam que havia em Santana do Capivari uma capela curada e em outros registros de 1834 a população pleiteou a elevação da Capela a Curato criando assim o Curato de Nossa Senhora da Consolação do Capivari. Em 1923 a denominação do distrito mudou de Capivari para Tapari. Em 1943 o nome foi mudado novamente para Consolação com a criação do município, mas só em 1962 Consolação foi elevada a categoria de Cidade, sendo emancipada em 1963”.

Logo que chegamos à cidade fomos recebidos por um bando de pássaros de todas as espécies e cores. Foi um verdadeiro colírio para os olhos ver tanta diversidade em algumas árvores na praça central ao lado do coreto.

Passamos pela Igreja da Matriz Nossa Senhora da Consolação de Capivari. Essa igreja teve sua origem em 1821 e a sua criação foi em 1857. Já a atual igreja teve o início da construção em 1933 e foi inaugurada em 1947. 


Deixamos o coreto e a igreja para trás e seguimos rumo a Paraisópolis.

No caminho passamos por algumas capelinhas e por várias estradas rurais e aos poucos a cidade de Consolação foi sumindo no horizonte ficando encoberta pelas montanhas ao redor.

Saímos da estrada pavimentada e voltamos à estrada de terra, passamos por uma ponte interditada onde os carros de apoio não poderiam passar e tiveram que fazer um caminho alternativo.

O tempo todo encontramos com pessoas sempre dispostas a puxar “um dedo de prosa” com os caminhantes da rota esbanjando a tradicional simpatia mineira.


Passamos pela Vila da Pedra Branca, por sinal uma pedra gigante e imponente. Devemos montar uma exploração em alguma trilha por lá e também seguir para o lado oposto do Caminho da Fé atrás de uma cachoeira no bairro vizinho.

É claro que não podemos esquecer das tradicionais subidas e descidas das estradinhas mineiras, elas também fizeram parte desse trajeto o tempo todo.

Por fim chegamos à Paraisópolis quase sem forças para continuar a caminhada. Paramos na primeira igreja da cidade seguindo a rota, a Igreja Nossa Senhora Aparecida que fica dentro do Asilo São Vicente de Paula, mas infelizmente estava fechada. Logo em seguida chegamos à Praça da Igreja Matriz de São José. A Matriz foi construída no início do século passado e é o ponto central da cidade.

Ao lado da igreja paramos para tomar um lanche, diga-se que foi super-recomendado por moradores como o melhor lanche de calabresa da cidade, mas não era aquelas coisas não, além de pequeno era caro (proporcionalmente falando).

O dia estava chegando ao fim, mas resolvemos conhecer alguns pontos turísticos da cidade e alguns prédios históricos.


Descemos até a antiga Estação de Trem de Paraisópolis que é muito charmosa e bem cuidada por sinal. Ficamos por ali até o sol se pôr criando um espetáculo à parte para completar nosso dia de caminhada.

Na volta ainda passamos em frente ao Paço Municipal da cidade, um prédio imponente e muito bonito, construído na década de vinte para abrigar o Fórum da cidade. Hoje o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico do Município.

Voltamos para a praça central e nos preparamos para voltar para casa. Estamos certos que ainda passaremos por mais alguns pontos importantes nessa cidade, mas ficará para a próxima etapa.

Por hoje foi isso, pessoal.

Até a próxima etapa!

Caminhantes: Cris Senkiw, Jane Ribeiro, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Rosangela Sotelo, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.

26 junho 2016

Tribo Guarani Itaóca – Mongaguá – SP

Dia 26, reunimos a turma para uma aventura cultural diferenciada. Descemos até Mongaguá no litoral sul de São Paulo rumo à Aldeia Indígena Guarani Itaóca onde fomos recepcionados por nosso amigo, o Cacique Verá Mirim, nome de registro Danilo.

Durante nossa permanência na aldeia tivemos uma grande aula sobre a cultura e costumes da tribo. Ouvimos uma palestra bem descontraída, mas muito educativa sobre a luta indígena pelo reconhecimento e manutenção da cultura entre eles e o convívio com o homem branco.

Depois da aula subimos para a aldeia onde os mirins fizeram uma apresentação de dança e logo em seguida fomos convidados a participar de outra dança, essa conhecida como: “Xondaro”.

Foi muito bonito ver nosso grupo e o pessoal da tribo lancharem juntos. Sem dúvida foi uma das imagens mais bonitas do dia! Aproveitamos para comprar alguns artesanatos produzidos por eles.

Atualmente a tribo está reconstruindo a Casa de Reza e torço para que tudo fique pronto logo. Danilo! Estamos à disposição para amassar barro e ajudar no que for preciso. É só chamar!

Foi um dia muito especial. Todos colaboraram e doaram alimentos e valores. Diga-se que a tribo não cobra absolutamente nada para apresentar a sua cultura a quem estiver interessado, mas fizemos questão de ajudar de alguma forma. Isso é muito pouco comparado ao que aprendemos com eles em poucas horas.

Agradeço a todos que participaram desse evento cultural.

E um grande obrigado ao Danilo pela disposição e atenção ao nosso grupo durante todo tempo que estivemos na aldeia. Conte com a gente sempre que precisar!



Até a próxima pessoal!

12 junho 2016

Rapel na Pedreira de Rio Grande da Serra

Em pleno Dia dos Namorados juntamos uma galera disposta a encarar novos desafios e o próprio medo.

O dia amanheceu mais gelado que o normal para essa época do ano e mesmo assim a turma não se rendeu ao frio.


Subimos a trilhazinha na encosta da pedreira até alcançarmos o topo e iniciarmos a nossa diversão.

Do alto da pedreira temos uma boa visão da região. Para todos os lados a vista é de uma grande área verde preservada e isso tudo tão perto da grande cidade de São Paulo.

Começamos descendo uma parede com aproximadamente 20 m servindo de treinamento para encararmos o desafio ainda maior bem ali ao lado, o outro paredão com os seus 50 m de altura.


Não preciso dizer que os rostos dos participantes demonstrava tudo. Estava tudo ali, um verdadeiro mesclado de medo, adrenalina, apreensão, ansiedade, nervosismo, alegria e felicidade pela superação e conquista.

Todo trabalho foi executado com muita segurança e responsabilidade através da Equipe Vertical Ecofun que o tempo todo auxiliou e motivou o grupo.


Apesar do friozinho na espinha, na barriga e no estomago, a aventura foi um sucesso.

Valeu pessoal pela disposição

Obrigado Ecofun pela parceria.

Até a próxima aventura.

07 maio 2016

6ª Etapa – Caminho da Fé – Tocos, Estiva e Consolação

Dia 7 de maio, retornamos ao último ponto da caminhada anterior para completar o trecho entre Tocos do Moji e Estiva.


Após uma longa pausa na caminhada, percorremos os trechos com mais desníveis do Caminho da Fé. Entre as cidades citadas e até o final dessa etapa em Consolação, o percurso todo é marcado por tantas subidas e descidas que dá para perder as contas. Cada descida era acompanhada de uma subida ainda maior e assim por diante. Segundo muitos caminhantes, esse trecho é um dos mais difíceis do Caminho devido esta grande quantidade de declives e aclives quase intermináveis. Porém, até agora é o mais belo trecho de todos. Recheado de muitas montanhas e vales, com sítios e fazendas repletas de diversos tipos de cultura, mas em grande parte o cultivo de morangos. Não é por acaso que estas cidades são conhecidas pela produção nacional desse fruto (ou, pseudofruto).


Tocos do Moji, Estiva e Consolação são cidades que pertencem ao Circuito Serras Verdes do Sul de Minas. O nome “Serras Verdes” se justifica pela beleza ímpar dessas montanhas com clima agradável durante o ano todo, com verões amenos e invernos com temperaturas negativas sendo comparadas a regiões montanhosas europeias. Para nossa sorte o dia estava muito agradável e propício para encarar aquela região montanhosa.

Depois de algumas subidas e descidas chegamos à Comunidade São Benedito onde paramos por alguns minutos para tomar água e descansar antes de seguir em frente e subir mais uma grande ladeira para enfim chegarmos a Estiva.


“Estiva teve a mesma origem que as demais cidades do Sul de Minas. Muitos Bandeirantes em busca de metais preciosos e índios para mão de obra necessitavam de novos caminhos para ir à capitania de São Paulo e a única passagem existente era próxima à foz de um Ribeirão que aos poucos foi habitado. Esse caminho era muito ruim, toda aquela região era um pântano e gerava grande prejuízo e atrasos. Em 1720 foi construída uma estiva de madeira roliça de 210 m (local onde hoje se ergue um Obelisco comemorativo da criação do município). O local ficou conhecido como “Brejo de Estiva” e mais tarde apenas Estiva. Registros mostram que o primeiro morador fixou residência em 1757. Em 1841 iniciou-se a construção da primeira capela em Estiva. O povoado foi elevado a Distrito de Paz em 1858 e em 1948 foi emancipado, mas só em 1949 se tornou município”.


Chegamos à Praça da Igreja Matriz, carimbamos nossos passaportes em uma das pousadas cadastradas. Aproveitamos a parada para tomar um lanche e recarregar as forças para seguir em frente até a próxima cidade.

Passamos pelo Obelisco e aos poucos saímos da área urbana. Depois de cruzarmos a Via Dutra voltamos a caminhar em estradas rurais seguindo as setas amarelas indicativas do caminho.

Esse trecho era mais plano, mas o descanso durou pouco. Aquelas estradas foram ficando cada vez mais inclinadas e novamente estávamos subindo mais montanhas intermináveis. Diga-se de passagem, as maiores até agora.


A vista foi mudando, em pouco tempo já não se via mais a cidade, mas sim um grande cinturão verde com montanhas e vales. Do alto via-se parte de Estiva e Cambuí como pequenas manchas cinza na imensidão verde da Serra.

Na medida em que nos aproximávamos de Consolação o dia deu lugar a noite, quando passamos pelo portal da cidade já estava escuro. Paramos na Praça da Igreja onde carimbamos nosso passaporte mais uma vez e tomamos um lanche para repor as forças e encarar a estrada de volta para casa.

Dessa vez o dia rendeu mais que as últimas duas etapas. Conseguimos realizar um bom trecho da rota totalizando 34 km de caminhada. Caminhada essa bem exaustiva, mas muito proveitosa.


Conhecemos novas pessoas no caminho e curtimos cada metro percorrido sempre em alto astral e em boa companhia.

Valeu pessoal, vencemos mais uma etapa!

Até a próxima!

Caminhantes: Argeu Alamino, Cris Senkiw, Jane Ribeiro, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.

10 abril 2016

Trilhas e Camping em Eldorado - SP

Depois de negociar uma programação diferenciada para o grupo com o nosso amigo e Monitor Ambiental Jorlei, seguimos para Eldorado, interior de São Paulo, em busca de mais uma aventura.

Dessa vez optamos em passar o fim de semana em um camping da região para facilitar o acesso às trilhas.  

Programamos duas trilhas: no sábado a do Complexo Cavuvu e a da Luz, e no domingo a Trilha do Rolado com cavernas preservadas e rústicas, bem diferente da Caverna do Diabo toda preparada e estruturada para o turismo de contemplação.

Nossa aventura começou cedo. De São Paulo a Eldorado são aproximadamente 300 quilômetros pela Rodovia Régis Bittencourt, conhecida como a Rodovia da Morte. Para nossa felicidade a viagem correu tranquilamente até o início da serra do cafezal onde fomos obrigados a percorrer o trecho bem devagar por causa do excesso de caminhões seguindo para o sul do Brasil. Só nesse trecho levamos mais de uma hora para percorrer apenas 15 quilômetros de serra.

Por fim, chegamos ao camping quase as duas da manhã para montar as barracas e preparar tudo para trilha dali a poucas horas.


As seis já estávamos em pé andando de um lado para outro esperando pelo café da manhã. Aproveitamos para ver o nascer de um novo dia. Aos poucos a luz do sol foi iluminando e tomando conta das margens do rio atrás do nosso camping criando a primeira de muitas belas imagens que teríamos no decorrer do dia.

Após o café seguimos ao encontro do guia para iniciar a aventura.

Infelizmente o Jorlei teve um contratempo e não pôde nos acompanhar nas trilhas, mas não nos deixou sozinhos. Ele convocou o seu irmão que carinhosamente apelidamos de JJ (Jorlei Júnior) e o Monitor Ambiental Carlinhos. Como esses complexos não são muito explorados e raramente visitados, nossos novos guias tiveram uma pequena dificuldade para achar o caminho para o inicio das trilhas. O único que conhece bem aquelas bandas é o Jorlei. Por isso, cada vez que o Monitor Carlinhos entrava em uma estrada errada era uma aventura à parte. Entramos em alguns sítios, passamos por pontes que não tinham nada a ver com o nosso caminho original, mas tiramos de letra e rimos muito. Posso dizer que todos do grupo se divertiram com as caretas que o Carlinhos fazia quando percebia que estava no caminho errado. Não é atoa, aquelas estradas são muito parecidas, com rios e nascentes por todos os lados. Com certeza isso colaborou para a confusão, o que é bem compreensível em se tratando de trilhas novas.

Enfim, chegamos ao primeiro complexo de cachoeiras, o Cavuvu. Pegamos a trilha margeando o rio e logo que começamos a natureza se fez ser vista. Bem acomodada embaixo de uma pedra quase dentro da água uma cobra jararaca descansava ou aguardava a passagem do seu café da manhã. Como não somos parte dele, resolvemos não incomoda-la, passamos com todo o cuidado ao lado dela. Deixamos a "amiga" em paz e seguimos nosso caminho.


Passamos por pequenas quedas d’água até chegar a uma cachoeira bem maior com aproximadamente 40 m de altura e uma ducha gelada e muito refrescante. A diversão estava garantida, uhuh!

Após tomar uma ducha deliciosa subimos a encosta beirando a cachoeira tomando toda precaução necessária para evitar uma queda. Vencida a encosta chegamos à outra cachoeira com a mesma proporção de tamanho e tão linda quanto a anterior.

Descemos e reagrupamos a turma para seguir ao outro complexo de cachoeiras.

A trilha do Complexo da Luz é um pouco mais longa que a do Cavuvu e tem várias quedas de 3 a 6 metros de altura com pequenas piscinas naturais bem apropriadas e convidativas para banhos deliciosos, mas nosso objetivo era chegar à cachoeira com mais de 70 m de altura no final dessa trilha. Essa trilha é bem mais acidentada que a anterior, mas não impediu nossa chegada ao pé da cachoeira.

Paramos na cachoeira anterior à gigante de 70 m e aguardamos os monitores verificarem o caminho para a subida até a grande queda. Confesso que me faltaram pernas para encarar aquela última subida no paredão ao lado da cachoeira, mas quem subiu relatou a grandiosidade da cachoeira. Segundo a Valéria, ela não deixa nada a desejar se comparada à cachoeira do Meu Deus, também em Eldorado. (Tudo bem, eu vou voltar lá mesmo!).


Depois de tantas cachoeiras e belas paisagens voltamos para o camping após o anoitecer com uma fome de leão. Ainda bem que o jantar já estava preparado!

Após a janta ainda sobrou ânimo para algumas pessoas do grupo acender uma fogueira, assar uns marshmallows e admirar o céu estrelado. Estrelas essas que foram sumindo com a chegada de algumas nuvens anunciando que viria uma chuva daquelas.

A chuva chegou com força no camping, trovões e relâmpagos iluminaram a noite, a ventania foi tão forte que algumas pessoas pensaram que suas barracas seriam arrastadas pelo vento. Uma das consequências da forte chuva foi saber na manhã seguinte que algumas pessoas tiveram o privilégio de ter uma cachoeira particular dentro da própria barraca, mas também teve quem nem se quer viu ou ouviu a chuva no camping.

Logo que amanheceu, juntamos a turma depois do café para uma pequena reunião de orientação sobre a trilha que iríamos fazer.


O Jorlei nos apresentou os Monitores Mauricio e Adilson que nos acompanhariam naquele roteiro. Os dois são monitores experientes e conhecedores da região.

Partimos para o Parque Estadual Caverna do Diabo. Nossa trilha começa dentro do parque subindo a Trilha do Araçá. Logo no começo da trilha o Monitor Mauricio nos contou algumas histórias bem populares na comunidade, uma delas é a do Soldado morto na região após a Guerra do Paraguai. “Dizem que o soldado ainda anda por aquelas bandas.”

Seguindo em frente passamos por mais algumas cobras que estavam caprichosamente tomando o sol da manhã no meio da trilha para aquecer o corpo após a noite fria e chuvosa e também por muitas outras pequenas cachoeiras até a entrada da primeira Caverna do Rolado.

Essas cavernas conforme já citado anteriormente, não possuem nenhuma benfeitoria como escadas, corrimão, luzes artificiais, nada disso. São bem rústicas e preservadas. A movimentação dentro delas requer algumas condições básicas para manter a segurança, como lanternas, capacetes e cordas para passar de um lado para outro, além de um pouco de flexibilidade e equilíbrio para pular de uma pedra a outra e não ter nenhum receio de sujar as roupas sentando no chão molhado e andar com água gelada até a altura dos joelhos.

Passar pelos corredores rústicos e ver formas esculpidas pela ação da natureza ao longo de milhões de anos é sem sombra de dúvidas uma experiência única e encantadora. A cada curva novas figuras se desenhavam nas pedras diante de nossos olhos. Essas cavernas são espetaculares e interessantes ao mesmo tempo. As suas formações fazem a trilha valer cada escorregada e metro andado.


Depois de sairmos da Caverna I, percorremos mais um trecho de trilha até a entrada da Caverna II. A formação geológica é a mesma que a anterior, subimos e descemos por dentro dela. Em alguns momentos ela ficava toda iluminada por causa de algumas claraboias naturais e em outros era um breu total sem qualquer chance de andar ali dentro sem uma lanterna para identificar o caminho a ser percorrido.

Na volta da trilha ouvimos mais alguns causos contatos por Mauricio. Histórias verídicas do lobisomem e da bruxa que viveram na região. Até aprendemos como se faz para identificar uma bruxa usando uma armadilha com pinga de risco.

Descemos a trilha bem acidentada até a entrada do Parque onde iniciamos o caminho.

Nos despedimos dos monitores e seguimos para o camping para preparar nossa tralha e encarar a estrada de volta a São Paulo.


Até aqui tudo transcorreu de forma perfeita e harmoniosa, mas...

Quando chegamos ao camping, fomos informados que um maluco havia entrado lá e roubado duas mochilas. Chamamos a polícia que prontamente chegou ao camping. O maluco era vizinho do camping e quando viu o carro da polícia o cara sumiu no mato. Foi um bafafá daqueles.

Foi só a policia ir embora que o fulano reapareceu. Os dois que tiveram suas mochilas roubadas e mais alguns amigos do camping foram atrás do dito cujo. Conversa vai, conversa vem e o cara negava ter roubado o nosso camping, mas ele não contava com a voz da autoridade de um dos nossos amigos. Ele enquadrou o cara de tal forma que não teve jeito e as mochilas reapareceram milagrosamente.

Fora outras coisas hilárias que aconteceram no desenrolar desse episodio, mas prefiro mantê-las no grupo. Não tem como não lembrar sem rir da gafe da Rosangela e da atitude revoltosa da Sil (coberta de razão, é claro), mas fica no grupo. (estou rindo até ficar velho)

Depois dessa “aventura” paralela ser resolvida, pegamos a estrada de volta para casa, sem incidentes e cheios de histórias para contar.

Jorlei! Obrigado pela organização, agilidade e compromisso com tudo!

Em breve voltaremos a Eldorado para novas aventuras. Essa foi boa demais!

Até a próxima!

19 março 2016

5ª Etapa - Caminho da Fé – Tocos do Moji a Estiva

Dia 19, retornamos a Tocos do Moji – MG para completar o trecho que faltava entre Inconfidentes e Tocos. Seguimos até o mesmo ponto onde finalizamos a caminhada anterior e partimos para encarar as tais subidas difíceis que tanto nos falaram.

De fato eram subidas fortes e bem íngremes e a força nas pernas foi muito exigida, mas o trecho não impõe tanta dificuldade como pintaram para o nosso grupo, ou estamos mais preparados do que imaginamos. Por outro lado, o fator complicador naquelas subidas foi encara-las com o digníssimo Astro Rei em toda sua glória queimando, torrando e cozinhando a pele dos caminhantes debaixo de um céu azul magnífico sem nenhuma nuvenzinha ou sombra de árvores para dar um alento para o povo por longos trechos. Para nossa sorte pudemos contar com a bondade de algumas famílias que construíram ao longo do percurso algumas bicas de água potável onde o caminhante/peregrino pode aproveitar um pouco de água fresca e uma boa sombra até repor um pouco das forças antes de seguir em frente subindo e descendo as montanhas da Serra da Mantiqueira.


Depois de algumas subidas e decidas chegamos a uma vilazinha, bem pequena mesmo, onde encontramos os portões da Igreja São Francisco de Assis que ficam abertos. Quem estiver com sede pode beber água na fonte, quem estiver cansado pode descansar em um de seus bancos, ou ainda, simplesmente se jogar por ali mesmo para ouvir os pássaros cantar no jardim bem arrumado ao redor da igreja até tomar coragem para continuar a caminhada.

Da vila até o centro de Tocos foram mais alguns quilômetros com pequenas e não menos cansativas subidas e decidas.

Por fim chegamos à cidade de Tocos do Moji.

“Tocos do Moji é a cidade mais nova do Sul de Minas com aproximadamente quatro mil habitantes. Sua origem é a mesma das outras cidades da região, iniciando com a formação de um pequeno povoado com a chegada dos bandeirantes por volta de 1870 que subiram o Rio Mogi Guaçu à procura de ouro. O nome Mogi Guaçu tem origem indígena: Moji = Rio e Guaçu = Grande. (A palavra Mogi se escreve em Tupi-guarani com a letra “J”). Já a palavra Tocos é originaria da língua Grega Tókos que significa: nascimento, parto, ou seja, nascente do Rio Moji. Outra versão é que Tocos seriam tocos de árvores mesmo, pois conta-se que a vegetação de Tocos do Moji era constituída essencialmente de araucárias e outras árvores de madeira de lei que eram derrubadas e vendidas, por consequência a parte mais plana do vilarejo foi ficando conhecida na região por tocos, por conta dos tocos das árvores que restaram. Tocos foi Distrito de Pouso Alegre até 1938 quando passou a pertencer a Borda da Mata, em 1951 a construção da Ponte de Pedra sobre o Rio Moji facilitou o acesso dos moradores e o comércio entre Tocos e Borda. Só em 1995 o Distrito de Tocos do Moji se emancipou e em 1997 tomou posse o primeiro Prefeito da cidade”.*


Paramos na avenida da cidade e literalmente nos jogamos nos bancos e gramado da ilha central da avenida.

Carimbamos mais uma vez nosso passaporte para registrar nossa passagem na cidade e ainda assinamos o livro de visitas da Casa da Cultura.

Comemoramos por ter vencido as montanhas com uma “gelada” pra variar. Lanchamos ali mesmo no meio da rua e descobrimos que bem pertinho da cidade tinha uma cachoeira. Não houve discussão, partimos para a cachoeira.

A cachoeira em si não era muito grande. O rio estava com a água turva e com boa correnteza bem característica após pancadas de chuvas, mas o sol estava forte e a água muito além do convidativo. Mesmo turva, posso dizer que estava simplesmente maravilhosa!

Ficamos por ali o suficiente para descansar e refrescar o corpo. Retornamos à rota original e passamos pela Igreja da cidade que fica na parte alta. Lá de cima dá para ver toda a extensão do centro e alguns bairros do outro lado do rio.


Existe uma história interessante sobre a construção dessa igreja.

A primeira capela da cidade foi construída nos arredores da fazenda de Vicente Garcia da Rosa, até que uma mulher morreu de “bexiga” (doença corriqueira na época) e foi enterrada nela. Com medo de contágio os moradores nunca mais rezaram na capela. Foi então que um homem de fé juntou um saco de moedas e partiu para Aparecida do Norte no lombo de um burro ou cavalo (meio de transporte comum em curtas ou longas viagens da época) e trouxe consigo uma imagem de Nossa Senhora Aparecida que existe até hoje na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida. Após a chegada da imagem, a comunidade se mobilizou e construiu uma nova Capela em 1919.

Depois de passarmos pela igreja seguimos rumo a Estiva. Tocos do Moji foi ficando para trás no meio do vale cercado por montanhas e fazendas e mais fazendas de morangos. (preciso voltar lá no festival do morando e conhecer as outras cachoeiras que ficaram do outro lado da rota).


Entre Tocos e Estiva são 21 quilômetros de caminhada, mas quando registramos mais de 20 quilômetros andados entre o último ponto de parada e o meio do caminho para Estiva, resolvemos encerrar o dia deixando para a próxima etapa a conclusão desse trecho.

Céu azul, sol, subidas, montanhas, fazendas de morangos, história, cultura, cachoeiras e muita descontração. Acho que não preciso dizer mais nada sobre essa etapa né?

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cris Senkiw, Gilson Lopes, Jane Ribeiro, Marcos Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Marilice Ruy Carral, Val Martini, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.