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10 abril 2016

Trilhas e Camping em Eldorado - SP

Depois de negociar uma programação diferenciada para o grupo com o nosso amigo e Monitor Ambiental Jorlei, seguimos para Eldorado, interior de São Paulo, em busca de mais uma aventura.

Dessa vez optamos em passar o fim de semana em um camping da região para facilitar o acesso às trilhas.  

Programamos duas trilhas: no sábado a do Complexo Cavuvu e a da Luz, e no domingo a Trilha do Rolado com cavernas preservadas e rústicas, bem diferente da Caverna do Diabo toda preparada e estruturada para o turismo de contemplação.

Nossa aventura começou cedo. De São Paulo a Eldorado são aproximadamente 300 quilômetros pela Rodovia Régis Bittencourt, conhecida como a Rodovia da Morte. Para nossa felicidade a viagem correu tranquilamente até o início da serra do cafezal onde fomos obrigados a percorrer o trecho bem devagar por causa do excesso de caminhões seguindo para o sul do Brasil. Só nesse trecho levamos mais de uma hora para percorrer apenas 15 quilômetros de serra.

Por fim, chegamos ao camping quase as duas da manhã para montar as barracas e preparar tudo para trilha dali a poucas horas.


As seis já estávamos em pé andando de um lado para outro esperando pelo café da manhã. Aproveitamos para ver o nascer de um novo dia. Aos poucos a luz do sol foi iluminando e tomando conta das margens do rio atrás do nosso camping criando a primeira de muitas belas imagens que teríamos no decorrer do dia.

Após o café seguimos ao encontro do guia para iniciar a aventura.

Infelizmente o Jorlei teve um contratempo e não pôde nos acompanhar nas trilhas, mas não nos deixou sozinhos. Ele convocou o seu irmão que carinhosamente apelidamos de JJ (Jorlei Júnior) e o Monitor Ambiental Carlinhos. Como esses complexos não são muito explorados e raramente visitados, nossos novos guias tiveram uma pequena dificuldade para achar o caminho para o inicio das trilhas. O único que conhece bem aquelas bandas é o Jorlei. Por isso, cada vez que o Monitor Carlinhos entrava em uma estrada errada era uma aventura à parte. Entramos em alguns sítios, passamos por pontes que não tinham nada a ver com o nosso caminho original, mas tiramos de letra e rimos muito. Posso dizer que todos do grupo se divertiram com as caretas que o Carlinhos fazia quando percebia que estava no caminho errado. Não é atoa, aquelas estradas são muito parecidas, com rios e nascentes por todos os lados. Com certeza isso colaborou para a confusão, o que é bem compreensível em se tratando de trilhas novas.

Enfim, chegamos ao primeiro complexo de cachoeiras, o Cavuvu. Pegamos a trilha margeando o rio e logo que começamos a natureza se fez ser vista. Bem acomodada embaixo de uma pedra quase dentro da água uma cobra jararaca descansava ou aguardava a passagem do seu café da manhã. Como não somos parte dele, resolvemos não incomoda-la, passamos com todo o cuidado ao lado dela. Deixamos a "amiga" em paz e seguimos nosso caminho.


Passamos por pequenas quedas d’água até chegar a uma cachoeira bem maior com aproximadamente 40 m de altura e uma ducha gelada e muito refrescante. A diversão estava garantida, uhuh!

Após tomar uma ducha deliciosa subimos a encosta beirando a cachoeira tomando toda precaução necessária para evitar uma queda. Vencida a encosta chegamos à outra cachoeira com a mesma proporção de tamanho e tão linda quanto a anterior.

Descemos e reagrupamos a turma para seguir ao outro complexo de cachoeiras.

A trilha do Complexo da Luz é um pouco mais longa que a do Cavuvu e tem várias quedas de 3 a 6 metros de altura com pequenas piscinas naturais bem apropriadas e convidativas para banhos deliciosos, mas nosso objetivo era chegar à cachoeira com mais de 70 m de altura no final dessa trilha. Essa trilha é bem mais acidentada que a anterior, mas não impediu nossa chegada ao pé da cachoeira.

Paramos na cachoeira anterior à gigante de 70 m e aguardamos os monitores verificarem o caminho para a subida até a grande queda. Confesso que me faltaram pernas para encarar aquela última subida no paredão ao lado da cachoeira, mas quem subiu relatou a grandiosidade da cachoeira. Segundo a Valéria, ela não deixa nada a desejar se comparada à cachoeira do Meu Deus, também em Eldorado. (Tudo bem, eu vou voltar lá mesmo!).


Depois de tantas cachoeiras e belas paisagens voltamos para o camping após o anoitecer com uma fome de leão. Ainda bem que o jantar já estava preparado!

Após a janta ainda sobrou ânimo para algumas pessoas do grupo acender uma fogueira, assar uns marshmallows e admirar o céu estrelado. Estrelas essas que foram sumindo com a chegada de algumas nuvens anunciando que viria uma chuva daquelas.

A chuva chegou com força no camping, trovões e relâmpagos iluminaram a noite, a ventania foi tão forte que algumas pessoas pensaram que suas barracas seriam arrastadas pelo vento. Uma das consequências da forte chuva foi saber na manhã seguinte que algumas pessoas tiveram o privilégio de ter uma cachoeira particular dentro da própria barraca, mas também teve quem nem se quer viu ou ouviu a chuva no camping.

Logo que amanheceu, juntamos a turma depois do café para uma pequena reunião de orientação sobre a trilha que iríamos fazer.


O Jorlei nos apresentou os Monitores Mauricio e Adilson que nos acompanhariam naquele roteiro. Os dois são monitores experientes e conhecedores da região.

Partimos para o Parque Estadual Caverna do Diabo. Nossa trilha começa dentro do parque subindo a Trilha do Araçá. Logo no começo da trilha o Monitor Mauricio nos contou algumas histórias bem populares na comunidade, uma delas é a do Soldado morto na região após a Guerra do Paraguai. “Dizem que o soldado ainda anda por aquelas bandas.”

Seguindo em frente passamos por mais algumas cobras que estavam caprichosamente tomando o sol da manhã no meio da trilha para aquecer o corpo após a noite fria e chuvosa e também por muitas outras pequenas cachoeiras até a entrada da primeira Caverna do Rolado.

Essas cavernas conforme já citado anteriormente, não possuem nenhuma benfeitoria como escadas, corrimão, luzes artificiais, nada disso. São bem rústicas e preservadas. A movimentação dentro delas requer algumas condições básicas para manter a segurança, como lanternas, capacetes e cordas para passar de um lado para outro, além de um pouco de flexibilidade e equilíbrio para pular de uma pedra a outra e não ter nenhum receio de sujar as roupas sentando no chão molhado e andar com água gelada até a altura dos joelhos.

Passar pelos corredores rústicos e ver formas esculpidas pela ação da natureza ao longo de milhões de anos é sem sombra de dúvidas uma experiência única e encantadora. A cada curva novas figuras se desenhavam nas pedras diante de nossos olhos. Essas cavernas são espetaculares e interessantes ao mesmo tempo. As suas formações fazem a trilha valer cada escorregada e metro andado.


Depois de sairmos da Caverna I, percorremos mais um trecho de trilha até a entrada da Caverna II. A formação geológica é a mesma que a anterior, subimos e descemos por dentro dela. Em alguns momentos ela ficava toda iluminada por causa de algumas claraboias naturais e em outros era um breu total sem qualquer chance de andar ali dentro sem uma lanterna para identificar o caminho a ser percorrido.

Na volta da trilha ouvimos mais alguns causos contatos por Mauricio. Histórias verídicas do lobisomem e da bruxa que viveram na região. Até aprendemos como se faz para identificar uma bruxa usando uma armadilha com pinga de risco.

Descemos a trilha bem acidentada até a entrada do Parque onde iniciamos o caminho.

Nos despedimos dos monitores e seguimos para o camping para preparar nossa tralha e encarar a estrada de volta a São Paulo.


Até aqui tudo transcorreu de forma perfeita e harmoniosa, mas...

Quando chegamos ao camping, fomos informados que um maluco havia entrado lá e roubado duas mochilas. Chamamos a polícia que prontamente chegou ao camping. O maluco era vizinho do camping e quando viu o carro da polícia o cara sumiu no mato. Foi um bafafá daqueles.

Foi só a policia ir embora que o fulano reapareceu. Os dois que tiveram suas mochilas roubadas e mais alguns amigos do camping foram atrás do dito cujo. Conversa vai, conversa vem e o cara negava ter roubado o nosso camping, mas ele não contava com a voz da autoridade de um dos nossos amigos. Ele enquadrou o cara de tal forma que não teve jeito e as mochilas reapareceram milagrosamente.

Fora outras coisas hilárias que aconteceram no desenrolar desse episodio, mas prefiro mantê-las no grupo. Não tem como não lembrar sem rir da gafe da Rosangela e da atitude revoltosa da Sil (coberta de razão, é claro), mas fica no grupo. (estou rindo até ficar velho)

Depois dessa “aventura” paralela ser resolvida, pegamos a estrada de volta para casa, sem incidentes e cheios de histórias para contar.

Jorlei! Obrigado pela organização, agilidade e compromisso com tudo!

Em breve voltaremos a Eldorado para novas aventuras. Essa foi boa demais!

Até a próxima!

19 março 2016

5ª Etapa - Caminho da Fé – Tocos do Moji a Estiva

Dia 19, retornamos a Tocos do Moji – MG para completar o trecho que faltava entre Inconfidentes e Tocos. Seguimos até o mesmo ponto onde finalizamos a caminhada anterior e partimos para encarar as tais subidas difíceis que tanto nos falaram.

De fato eram subidas fortes e bem íngremes e a força nas pernas foi muito exigida, mas o trecho não impõe tanta dificuldade como pintaram para o nosso grupo, ou estamos mais preparados do que imaginamos. Por outro lado, o fator complicador naquelas subidas foi encara-las com o digníssimo Astro Rei em toda sua glória queimando, torrando e cozinhando a pele dos caminhantes debaixo de um céu azul magnífico sem nenhuma nuvenzinha ou sombra de árvores para dar um alento para o povo por longos trechos. Para nossa sorte pudemos contar com a bondade de algumas famílias que construíram ao longo do percurso algumas bicas de água potável onde o caminhante/peregrino pode aproveitar um pouco de água fresca e uma boa sombra até repor um pouco das forças antes de seguir em frente subindo e descendo as montanhas da Serra da Mantiqueira.


Depois de algumas subidas e decidas chegamos a uma vilazinha, bem pequena mesmo, onde encontramos os portões da Igreja São Francisco de Assis que ficam abertos. Quem estiver com sede pode beber água na fonte, quem estiver cansado pode descansar em um de seus bancos, ou ainda, simplesmente se jogar por ali mesmo para ouvir os pássaros cantar no jardim bem arrumado ao redor da igreja até tomar coragem para continuar a caminhada.

Da vila até o centro de Tocos foram mais alguns quilômetros com pequenas e não menos cansativas subidas e decidas.

Por fim chegamos à cidade de Tocos do Moji.

“Tocos do Moji é a cidade mais nova do Sul de Minas com aproximadamente quatro mil habitantes. Sua origem é a mesma das outras cidades da região, iniciando com a formação de um pequeno povoado com a chegada dos bandeirantes por volta de 1870 que subiram o Rio Mogi Guaçu à procura de ouro. O nome Mogi Guaçu tem origem indígena: Moji = Rio e Guaçu = Grande. (A palavra Mogi se escreve em Tupi-guarani com a letra “J”). Já a palavra Tocos é originaria da língua Grega Tókos que significa: nascimento, parto, ou seja, nascente do Rio Moji. Outra versão é que Tocos seriam tocos de árvores mesmo, pois conta-se que a vegetação de Tocos do Moji era constituída essencialmente de araucárias e outras árvores de madeira de lei que eram derrubadas e vendidas, por consequência a parte mais plana do vilarejo foi ficando conhecida na região por tocos, por conta dos tocos das árvores que restaram. Tocos foi Distrito de Pouso Alegre até 1938 quando passou a pertencer a Borda da Mata, em 1951 a construção da Ponte de Pedra sobre o Rio Moji facilitou o acesso dos moradores e o comércio entre Tocos e Borda. Só em 1995 o Distrito de Tocos do Moji se emancipou e em 1997 tomou posse o primeiro Prefeito da cidade”.*


Paramos na avenida da cidade e literalmente nos jogamos nos bancos e gramado da ilha central da avenida.

Carimbamos mais uma vez nosso passaporte para registrar nossa passagem na cidade e ainda assinamos o livro de visitas da Casa da Cultura.

Comemoramos por ter vencido as montanhas com uma “gelada” pra variar. Lanchamos ali mesmo no meio da rua e descobrimos que bem pertinho da cidade tinha uma cachoeira. Não houve discussão, partimos para a cachoeira.

A cachoeira em si não era muito grande. O rio estava com a água turva e com boa correnteza bem característica após pancadas de chuvas, mas o sol estava forte e a água muito além do convidativo. Mesmo turva, posso dizer que estava simplesmente maravilhosa!

Ficamos por ali o suficiente para descansar e refrescar o corpo. Retornamos à rota original e passamos pela Igreja da cidade que fica na parte alta. Lá de cima dá para ver toda a extensão do centro e alguns bairros do outro lado do rio.


Existe uma história interessante sobre a construção dessa igreja.

A primeira capela da cidade foi construída nos arredores da fazenda de Vicente Garcia da Rosa, até que uma mulher morreu de “bexiga” (doença corriqueira na época) e foi enterrada nela. Com medo de contágio os moradores nunca mais rezaram na capela. Foi então que um homem de fé juntou um saco de moedas e partiu para Aparecida do Norte no lombo de um burro ou cavalo (meio de transporte comum em curtas ou longas viagens da época) e trouxe consigo uma imagem de Nossa Senhora Aparecida que existe até hoje na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida. Após a chegada da imagem, a comunidade se mobilizou e construiu uma nova Capela em 1919.

Depois de passarmos pela igreja seguimos rumo a Estiva. Tocos do Moji foi ficando para trás no meio do vale cercado por montanhas e fazendas e mais fazendas de morangos. (preciso voltar lá no festival do morando e conhecer as outras cachoeiras que ficaram do outro lado da rota).


Entre Tocos e Estiva são 21 quilômetros de caminhada, mas quando registramos mais de 20 quilômetros andados entre o último ponto de parada e o meio do caminho para Estiva, resolvemos encerrar o dia deixando para a próxima etapa a conclusão desse trecho.

Céu azul, sol, subidas, montanhas, fazendas de morangos, história, cultura, cachoeiras e muita descontração. Acho que não preciso dizer mais nada sobre essa etapa né?

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cris Senkiw, Gilson Lopes, Jane Ribeiro, Marcos Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Marilice Ruy Carral, Val Martini, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.


28 fevereiro 2016

Trilha da Cachoeira da Escadaria – Votorantim


Mais uma aventura realizada com sucesso.

Juntamos a turma para mais uma trilha, dessa vez guiada por nossa amiga Elaine Figueiredo que conhecia bem o caminho e não hesitou quando surgiu a ideia de ir para lá.

Agrupamos o povo nos pontos de encontros e seguimos em direção à cachoeira. Saímos da área urbana de Votorantim no sentido da Represa de Itupararanga, mas antes dela pegamos uma estradinha de terra por longos quatro quilômetros com muito sobe e desce, desviando de buracos e das poças de lamas no caminho. Parecia que não chegaria nunca e para ajudar o tempo fechou e a névoa baixou tanto que não dava para ver a copa de algumas árvores. Ficou meio tenso o caminho, mas por fim chegamos à ponta da represa para iniciar a trilha.

A névoa sumiu, o tempo firmou e ficou aberto, afastando a possibilidade de chuva para nossa felicidade.

Cruzamos o rio para continuar na trilha e depois de alguns minutos de caminhada paramos em uma grande pedra onde tivemos uma visão privilegiada e panorâmica da cidade ao fundo após o cinturão verde da mata.

Descemos a trilha e passamos por algumas quedas d’água, mas tínhamos em mente a tal cachoeira da escadaria. Seguimos mais um pouco pela trilha e paramos na cachoeira anterior a escadaria e ficamos por lá bons momentos curtindo a cachoeira, refrescando o corpo e renovando a alma.

Após essa breve parada percorremos por mais um trecho de trilha um pouco mais acidentado, mas sem muita dificuldade e enfim, chegamos a tal escadaria que antecede a cachoeira. Descemos degrau por degrau e nos deparamos com mais uma bela cachoeira, e claro, mais um bom banho regado a muita risada por causa dos “doidos” que tentavam ficar em pé debaixo da cachoeira e acabavam indo ao chão com a força da água. Foi muito divertido ver a teimosia do povo. Eram todos “crianças crescidas” se divertindo muito.

Vale resaltar a atitude do grupo que recolheu uma grande quantidade de lixo deixado por outros “aventureiros” sem educação ou respeito pela natureza. Esse povo que diz “gostar de uma boa cachoeira e que ama a natureza” deveria ter no mínimo higiene e a consciência de preservação. Foi triste ver lixo até embaixo da cachoeira.

Tenha dó, se você não tem capacidade de levar seu próprio lixo de volta, não faça trilhas e vá frequentar um lixão ou um aterro sanitário urbano, lá é o seu lugar. Por isso me pergunto por que esse povo ainda respira o meu ar?

Retornamos ao local onde deixamos nossos carros e lá encontramos com o Grupo Suçuarana fazendo uma grande faxina na região. Juntamos o lixo que retiramos na base da cachoeira com os grandes sacos de lixo que eles recolheram. Conversamos e ouvimos uma palestra sobre o projeto Suçuarana. Foi muito bom conhecê-los!

*O grupo Suçuarana foi fundado em 1994 com objetivos de preservar a vida e o meio ambiente. A finalidade do grupo é: treinar e aprimorar técnicas e equipamentos para buscas e salvamentos em qualquer tipo de ambiente; a defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável. Tudo isso sem fins lucrativos.* (detalhes e informações do grupo no facebook: https://www.facebook.com/GrupoSucuarana/timeline).

Depois de tudo pegamos nosso caminho de volta, mas antes de encerrar o dia ainda demos uma parada rápida na barragem da represa para fazer algumas fotos e encerrar a aventura do dia.

Obrigado a todos que participaram desta aventura e um agradecimento especial à Elaine que nos conduziu em belas paisagens e cachoeiras que literalmente tiraram o fôlego de alguns.

Até próxima aventura!

27 fevereiro 2016

4ª Etapa – Caminho da Fé – De Inconfidentes a Tocos do Moji

Dia 27, retornamos a Inconfidentes – MG para seguir por mais um trecho da caminhada.

Começamos pelo Bar do Maurão onde o Gilson, novo integrante do grupo, adquiriu o seu passaporte para nos acompanhar nas próximas etapas.

Percorremos a avenida principal da cidade até o final e seguimos pela rodovia até uma estrada de terra, sempre seguindo as setas amarelas.

Esse trecho da caminhada foi um pouco mais desafiador para os carros de apoio por causa das chuvas constantes na região, já que a caminhada é feita em grande parte por estradas de terra e elas sofreram um bocado com deslizamentos e erosões, mas esse foi só mais um obstáculo a ser superado.


De Inconfidentes à Borda da Mata foram 21 quilômetros de caminhada. Passamos por várias fazendas e sítios (já é corriqueiro dizer isso), mas dessa vez estávamos cercados por muitas nascentes e córregos. O barulho das pequenas corredeiras era agradável e ao mesmo tempo “irritante”, já que não dava para entrar em nenhuma delas por estarem dentro de propriedades particulares. A única que daria para aproveitar e tomar um bom banho estava com um volume de água muito grande decorrente das fortes chuvas e acabamos ficando só na vontade mesmo.

Um pouco mais a frente paramos em um galpão onde o caminhante pode usar o sanitário e até tomar banho se quiser. Gentilezas de pessoas como o Sr. Joaquim que se preocupa e apoia os caminhantes durante a jornada. É raridade, mas ainda existe bondade na terra!


Por fim, chegamos à divisa entre Inconfidentes e Borda da Mata.

Borda da Mata é uma típica cidade do Sul de Minas com aproximadamente 17 mil habitantes. É uma das cidades que integram o Circuito Turístico das Malhas do Sul de Minas. Possui um grande potencial para indústria têxtil e se destaca pela produção de pijamas, por isso ganhou a fama de “Capital Nacional do Pijama”.

"O povoado de Borda do Campo (atual Borda da Mata) nasceu nos caminhos que ligavam a Vila de São Francisco de Paula de Ouro Fino (hoje Ouro Fino) ao Registro do Mandu (hoje Pouso Alegre). A emancipação política do município aconteceu em 1924. Existe uma grande quantidade de documentos sobre a fundação de Borda da Mata que se funde com a fundação da Igreja Nossa Senhora do Carmo".


Nosso cartão de boas-vindas foi uma rua alagada devido às chuvas. Nosso carro de apoio ficou impedido de prosseguir e teve que dar uma volta considerável para retornar ao caminho original. Já os caminhantes, tiraram os tênis e botaram os pés na água para cruzar o pequeno trecho alagado. Foi hilário e divertido para dizer o mínimo.

Depois seguimos para a Igreja Matriz da cidade.

A Igreja Nossa Senhora do Carmo é de 1858, em 2005 foi elevada à Basílica pelo Papa Bento XVI.

Conhecemos pouco de Borda da Mata, infelizmente nossa passagem por lá foi mais rápida do que nas outras cidades.


Carimbamos nosso passaporte no Hotel Village e em seguida na própria Basílica onde fizemos uma breve pausa cercados por lindos vitrais e um silêncio gostoso. Saímos da igreja e tomamos um lanche ali mesmo na Praça da Matriz para repor um pouco de energia e seguimos rumo a Tocos do Moji.

Depois de mais algumas subidas e decidas encerramos nossa caminhada ainda faltando alguns quilômetros para chegar a Tocos do Moji. Pelos relatos que ouvimos dos moradores locais a partir daquele ponto era só subida, e segundo eles, os próximos quilômetros seriam os mais difíceis da caminhada e como já faltava força nas pernas resolvemos deixar esse desafio para a próxima etapa.


Particularmente falando, cada vez mais me encanto com esse caminho. Muita tranquilidade e o verde sempre saltam aos olhos. O povo mineiro é outro detalhe a parte, ele está sempre disposto a puxar assunto quando encontra um caminhante/peregrino. Como um senhor bem velhinho provavelmente com seus 80 e tantos anos, cheio de graça contando piadas que não dariam para divulgar no blog sem uma pequena censura.

Rimos muito e como sempre aproveitamos bem o dia.

Agora vamos aguardar o que os próximos quilômetros nos reservam na próxima etapa.

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cris Senkiw, Gilson Lopes, Jane Ribeiro, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Val Martini, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.

13 fevereiro 2016

Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional do Itatiaia


A ideia surgiu em 2014: subir o 5º maior pico do Brasil, com 2791 m de altitude. Após mais de um ano pesquisando, em novembro de 2015 o planejamento toma forma e os detalhes se fundem.

Marcado para 13 de fevereiro de 2016, Tamara, Aline, Moisés e eu, finalmente, íamos subir o famoso pico do Parque Nacional do Itatiaia.

A cada dia a ansiedade aumentava e os assuntos sobre o que precisávamos levar, como nos preparar, iam ficando cada vez mais intensos e frequentes. Chegou o dia 12 de fevereiro, a data marcada para partida, estávamos lá no Terminal Rodoviário do Tietê, às 23:00, junto com o restante do grupo (nós iríamos de carro e eles de van). Saímos as 23:50. 

O objetivo era ir acompanhando a van, mas o motorista “vazou” sem esperar. Paciência, isso não nos abalou, até porque “quem tem boca vai a Agulhas”. Seguimos pela Ayrton Senna e Carvalho Pinto até Taubaté, onde acessamos a Dutra. Escolhemos o trajeto por ter quase a mesma distância e pedágios mais baratos, além do limite de velocidade ser maior (120 contra 110 da Dutra).

Fomos até o AMAN (Academia Militar do Agulhas Negras), em Resende/RJ, pois não sabíamos qual portaria (1 ou 2) era utilizada para acesso ao Pico. Lá, nos informaram que teríamos de ir até a Portaria 1 (Parte Baixa), pegando a Dutra sentido SP e acessar a saída 317, conforme indicaram as placas Itatiaia / Parque Nacional. Feito, andamos 12 km na BR-116 e mais 6,5 km até chegar à Portaria da Parte Baixa.

Destino alcançado, mais uma surpresa... O acesso ao Pico se dá pela Portaria 2, conhecida como Posto Marcão, que fica na cidade de Itamonte/MG, a 56 km dali...

Voltamos para a Dutra, sentido SP, e pegamos a saída 330, no bairro de Engenheiro Passos, com destino a Itamonte, pela BR-354. Subindo a serra, muitas curvas, estrada simples de mão dupla e sem acostamento (quem sofre com curvas, tome remédio!). Quando demos conta, já estávamos descendo a serra, chegamos à cidade de Itamonte e pedimos informações. É, havíamos passado a estrada que dá acesso ao Posto. Subindo a serra, vimos o Hostel que nos hospedaria, logo não foi de tudo ruim ter errado (rs).


Subimos 20 km até localizarmos a Garganta do Registro, local onde fica a estrada. Faltava pouco, 14 km de estrada de terra (carro baixo sofre!). Poucas paradas para fotos acima das nuvens, apreciando o maravilhoso visual.

E a via sacra teve fim às 6:27 da manhã, quase 6:40 após a saída do Tietê. Para efeito de comparação, levamos 3:30 para voltar...

Sem descansar, nos arrumamos para iniciar a trilha, pois estava marcada para as 7:00. Assinamos a ficha de responsabilidade e, quando pensamos que era a hora de seguir, o guia nos diz que o fiscal pedia uma segunda corda de 30 m (já tínhamos uma), pois o Parque exige uma corda a cada 13 pessoas e nosso grupo contavam com 25 integrantes. Caso contrário, o grupo seria dividido em dois. Um iria para o Pico e o outro curtiria trilhas e cachoeiras, e no domingo inverteria. O guia disse que no hostel em que hospedaríamos teria a corda que precisávamos. Me disponibilizei para levá-lo. Deu certo. Em uma hora fomos e voltamos. O fiscal olhou e autorizou o grupo a seguir. Ufa!


As 8:40 estávamos iniciando a trilha de 3 km até o Abrigo Rebouças, onde comeríamos algo e abasteceríamos as garrafas com água, além de usar o banheiro. Ficamos 10 minutos e continuamos a seguir até a base do Pico, que está a 2,5 km do Abrigo.

O sol estava bem forte, mas o vento leve e gelado da altitude (2430 m) aliviava.

Pouco antes da base, um riacho com água gelada e limpa, que aproveitamos para reabastecer garrafas, pois a partir dali não teríamos mais pontos de água.

A partir de agora é só pedra. Calçado faz toda a diferença. Subida íngreme e, em alguns pontos, sendo preciso ajoelhar ou mesmo encostar o peito na pedra, no melhor estilo Homem Aranha. As escalaminhadas são de nível médio a difícil e desgastante. São 02 pontos de corda, o primeiro na metade da subida e o segundo na última parte, já para alcançar o falso cume.

Terminamos a subida as 14:00, tarde para podermos ir até onde fica o livro, infelizmente, mas valeu muito, sensação inigualável e indescritível!

As meninas (Tamara e Aline) não foram o falso cume, ficaram no ponto da última corda, por questões de dores no joelho.

As 14:40 iniciamos a descida, com os mesmos perrengues da subida, mas judiando ainda mais dos joelhos. Usar joelheiras e tornozeleiras pode ser muito válido, principalmente para quem já tem algum histórico. A volta foi mais rápida, óbvio, e às 18:00 já estávamos no Posto para seguirmos até o Hostel.

O Hostel Picus é muito bem estruturado e o indico tranquilamente.

Jantamos e fomos dormir umas 22:00, não dava para enrolar tamanho o cansaço.

No domingo acordamos as 6:30, tomamos café e organizamos as coisas no carro, assim não seria necessário voltar ao hostel após sairmos do parque.

Chegamos ao parque, nos apresentamos e... Adivinhem! Sem o comprovante de pagamento não poderíamos entrar... Um sufoco para achar um local com o mínimo de sinal para contatar o responsável pelo grupo. Uns 100 m após, consegui o contato e a imagem do comprovante.

Uma vez dentro do parque, fomos até a Cachoeira das Flores, 500 m a frente do Abrigo Rebouças, em direção ao Pico das Prateleiras. Cachoeira com água extremamente gelada, arrisco dizer que é a mais gelada que já entrei. Fizemos um cercado com pedras e alocamos nossas garrafas, para mantê-las geladas. Ficamos lá por volta de 1:30.

Seguimos até a base do Pico das Prateleiras, mas não podíamos subir, pois além da falta de equipamento, não tínhamos guia.

Voltamos os 6 km (base até Posto) e, as 17:00 já estávamos saindo do parque. Leves e felizes com nossos desempenhos.

Paramos em uns quiosques de beira de estrada, na Garganta do Registro, onde compramos algumas coisas. 17:30 encaramos a estrada até SP, chegando na Salim Farah Maluf as 20:45.

Fim do rolê e várias aventuras. Muito bom e merecedor de replay.

Resumo da viagem:
SP até Posto Marcão: 294 km
Posto Marcão até SP: 300 km
Ida e volta: Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dutra e BR-354
Combustível: R$ 265,00 (gasolina, Uno Evo, 1.0, às vezes usando o ar condicionado)
Pedágio: R$ 48,40
Alimentação (água, isotônico, lanches, barras, energéticos e macarrão instantâneo): R$ 185,00
Locação do carro: R$ 360,00
Total Coletivo: R$ 858,40
Partilha: R$ 214,60 (04 pessoas)
Hostel: R$ 45,50 (1 pernoite)
Entrada no Parque: R$ 22,50 (R$ 15,00 sábado e R$ 7,50 domingo, valores para brasileiros)
Total Individual: R$ 68,00
Total Investido/cada: R$ 282,60

Por Everthon Moraes

07 fevereiro 2016

Torre de Pedra

“Nada como ir atrás de um caminho que você não conhece e descobrir que valeu a pena seu esforço!”

Juntamos um pequeno grupo disposto a encarar alguns bons quilômetros de estrada para ir até a cidade de Torre de Pedra. A cidade ganhou esse nome por causa do monumento natural montanhoso conhecido como “Capricho da Natureza” ou “Troféu de Deus”. Com cerca de três mil habitantes a pequena cidade ainda dispõe de outros pontos turísticos interessantes como: a Cachoeira e Morro do Agudo.

Chegando à cidade partimos atrás do caminho para a Torre e ai começou o “sobe um morro aqui” e “desce outro morro ali” até que de repente a Torre sumiu de vista! Paramos para perguntar o caminho certo para a Torre e lá fomos nós para o local indicado.


Deixamos nossos carros na base e subimos a pequena trilha até a Torre.

Seguindo a trilha demos uma volta completa na base da Torre com a esperança de achar alguma entrada para subir, mas a trilha só dava a volta e mais nada. Existe até um trecho que permite ao aventureiro com experiência em escalada subir rumo ao cume da montanha, mas estava fora da nossa alçada, infelizmente.

Encontramos com outras pessoas que se aventuravam na Torre e conversa vai, conversa vem, descobrimos que havia uma cachoeirinha por ali perto. Não deu outra! Partimos em busca da tal cachoeirinha para refrescar o corpo.

Mais uma vez, sobe morro, desce morro. Pergunta aqui, pergunta ali. Até que enfim achamos a cachoeira.


De fato não era grande coisa. Tinha aproximadamente uns dez metros de altura e pouca água, mas posso dizer que foi muito bem-vinda e refrescante.

Ficamos por ali algumas horas, batendo papo e curtindo a água gelada da cachoeira.

Toda alegria dura pouco. Depois disso era voltar para a estrada e encarar aqueles quilômetros de volta para casa.

Valeu galera, mais uma conquista desse grupo fora de série!

Foi uma aventura diferente e bem interessante.

Nos vemos na próxima!




30 janeiro 2016

3ª Etapa – Caminhos da Fé – Bairro Taguá a Inconfidentes

Dia 30, partimos para as bandas de Minas Gerais e para mais uma etapa do caminho da Fé.

Retornamos ao Bairro Taguá e seguimos em direção à Crisólia - Distrito de Ouro Fino.

Crisólia é muito parecida com uma vilazinha do interior. Tem uma praça com uma Igreja Matriz e algumas ruas em torno dela. O povo local é bem simpático e receptivo com os caminhantes.

Paramos no Bar da Zeti para carimbar nossos passaportes e tomar algo gelado para refrescar a garganta e garantir alguma energia para o corpo, já que o dia estava muito quente e o sol estava judiando da gente.


Depois dessa pequena pausa seguimos rumo a Ouro Fino.

“Ouro fino – A Terra do Menino da Porteira - Teve sua origem em 1746 com a chegada dos Bandeirantes à região do Vale do Sapucaí em busca de ouro. O Guarda-Mor Francisco Martins Lustosa fundou o arraial de Ouro Fino e construiu a Capela de São Francisco de Paula em 1749. Até 1799 Ouro Fino foi jurisdição da Vila de São João Del Rey e depois passou a ser da Vila de Campanha. Em 1831 Ouro Fino se tornou Distrito do município de Pouso Alegre. Em 1868 foi elevado à condição de Vila e só em 1880 foi elevada à categoria de cidade. Apesar de sua origem girar em torno da busca pelo ouro em meados do século XVIII, o grande salto econômico foi no século XX com a cafeicultura. Hoje a cidade explora o setor turístico histórico, cultural e rural. Ouro fino também faz parte do grupo de cidades que integram o circuito das malhas.”

Saindo de Crisólia pela estrada de terra passamos por algumas fazendas cercadas de montanhas por todos os lados. Chegando ao final da estrada o caminhante é recebido pelo gigantesco Monumento do Menino da Porteira. É quase impossível não cantar a famosa música interpretada por Sérgio Reis: “Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino...”.


Paramos para registrar nossa passagem com algumas fotos e tomar um caldo de cana bem gelado preparado na hora com direito ao “chorinho” que era quase outro copo de meio litro cheio.

Ao lado do Monumento está a Secretaria de Turismo da cidade, mas para variar estava fechada.

Seguimos em frente rumo à Igreja Matriz, mas um pouco antes dela paramos para carimbar nossos passaportes mais uma vez. No caminho ainda passamos por alguns prédios históricos como o Pavilhão do Circuito das Malhas, a Casa Café com Leite onde se deu o “Acordo do Café com Leite” ou “Pacto de Ouro Fino” em 1913, quando o Presidente de Minas Gerais, Sr. Júlio Bueno Brandão, e o representante de São Paulo, Sr. Cincinato Braga, decidiram a política do revezamento na Presidência da República do Brasil entre candidatos dos dois Estados. Passamos ainda pela casa onde morou o ex-presidente de Minas e Senador Júlio Bueno Brandão construída em 1917, pela Escola Estadual Coronel Paiva construída em 1907, pela praça com a centenária Magnólia e também pela Escola Estadual Bueno Brandão construída em 1912 que continua em pleno funcionamento desde a sua inauguração, ambas tombadas pelo patrimônio histórico da cidade. Enfim, chegamos à Praça da Igreja Matriz.


A Igreja de São Francisco de Paula é uma das mais antigas de Minas Gerais. Sua construção teve início em 1927 substituindo a rústica capela erguida em homenagem a São Francisco de Paula por volta de 1749. A Igreja atual apresenta uma mescla de estilos de arquitetura religiosa com predominância do estilo românico e alguns elementos do gótico francês. A igreja ainda abriga em seu interior o único Museu Sacro do Sul de Minas com mais de 100 peças (imagens, paramentos, mobiliários, documentos, quartos e fotos), mas infelizmente estava fechado. Vale dizer que essa igreja é linda e imponente. Ela é toda decorada com lindos vitrais e pinturas sacras nas paredes laterais e no teto.

Depois de uma pequena pausa para o descanso merecido no silêncio gostoso da igreja, seguimos o caminho em direção à cidade de Inconfidentes.

De Ouro Fino até Inconfidentes são aproximadamente nove quilômetros de caminhada por uma estradinha tranquila de terra batida que liga os dois municípios, mas sem muitas sombras no caminho aumentando um pouco a dificuldade para o caminhante, já que o sol não dava trégua em nenhum momento.

Subimos e descemos algumas vezes passando por mais algumas entradas de fazendas e sítios sempre acompanhados pelo mesmo visual recheado de tons verde criando uma ilusão de movimento com tantas ondulações e contornos montanhosos (ou já era o sol fazendo efeito?).

Por fim chegamos a Inconfidentes, registramos nossa passagem carimbando mais uma vez os passaportes e paramos na Igreja São Geraldo Majela.

A igreja é muito bonita e simples ao mesmo tempo. Ela tem poucas pinturas e imagens, mas é muito bem preservada e aconchegante.


Andamos pela avenida central da cidade, mas tudo estava fechado. Até o Bar do Maurão onde se carimba o passaporte estava fechado. Vale dizer que essa avenida tem um charmoso canteiro central com várias árvores enfeitadas com bordados envolvendo seus troncos como se fossem mantas coloridas trazendo um toque especial aos olhos dos visitantes.

“Inconfidentes é uma pequena cidade com aproximadamente sete mil habitantes. Fundada por Bandeirantes às margens do Rio Mogi Guaçú com o nome original de Mogi Acima (toda essa área pertencia ao município de Ouro Fino). Entre 1908 e 1909 o presidente de Minas Gerais Júlio Bueno Brandão criou na região a Colônia Agrícola de Estrangeiros. Através do Serviço do Povoamento as terras foram distribuídas aos colonos que eram em sua maioria italianos, espanhóis, portugueses, russos, estonianos, franceses, entre outros. A Colônia Agrícola tomou o nome de Núcleo Colonial Inconfidentes numa homenagem a Minas Gerais em alusão aos heróis da Inconfidência Mineira, como Tiradentes e Alvarenga Peixoto (este último foi proprietário de uma fazenda no Município de Ouro Fino). Em 1953 o Núcleo Colonial foi elevado a Distrito de Paz. Em 1962 tornou-se município desmembrando-se de Ouro Fino.”

Encerramos nossa caminhada sentados debaixo de uma das árvores com os troncos bordados depois de 26 quilômetros percorridos. Bem próximo dali, achamos uma lanchonete ainda aberta para nossa tradicional despedida refrescando a garganta.

Até a próxima etapa!

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cláudia Melo, Cris Senkiw, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Marilice R. Carral, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.

09 janeiro 2016

2ª Etapa - Caminho da Fé - De Andradas a Taguá

Dia 9, voltamos a Andradas - MG para mais um trecho do Caminho da Fé.

“A origem de Andradas, segundo registros históricos, foi 1792 quando dois fazendeiros se estabeleceram na região depois de atravessarem o Rio das Antas e construírem suas moradias às margens do córrego do Cipó. O primeiro povoado foi chamado de Samambaia. Em 1848 os moradores decidiram erguer uma capela dedicada a São Sebastião. Em 1860, Samambaia foi elevada à categoria de Distrito de Paz e passou a se chamar São Sebastião de Jaguary. Em 1866 transformou-se em Freguesia. Em 1888 foi elevada à Vila do Caracol. Em 1892 foi inaugurada a primeira Câmara Municipal e em 1925 a Vila Caracol foi elevada à categoria de cidade, adotando o nome de Andradas em homenagem ao então governador de Minas Gerais Sr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.”


Depois de encarar algumas horinhas de estrada, paramos na Praça Dr. Alcides Mosconi (a principal da cidade), muito bem estruturada e bem arborizada, com uma fonte luminosa, coreto, banheiros públicos limpos, estacionamento e um bom comércio ao redor dela. Do lado de cima da Praça está a Igreja Matriz de São Sebastião idealizada pelo Padre Aristoteles A. Benati. O início da sua construção foi em 1914 e a conclusão apenas em 1941. Ela está bem conservada e com lindas pinturas no teto e nas paredes relatando passagens bíblicas, ajudando o fiel a encontrar um pouco de paz longe do corre-corre diário. Assim que entramos na igreja, fomos recepcionados pelo simpático Cônego Simão Cirineo que prontamente nos deu uma benção especial para a caminhada e recebemos o primeiro carimbo do dia em nossos passaportes.


Logo que saímos da igreja, seguimos as tradicionais setas amarelas e em pouco tempo deixamos o centro de Andradas para trás. A poucos quilômetros da cidade paramos na Vinícola Casa Geraldo, uma das fazendas tradicionais de Andradas na produção de vinhos e cachaça.

A Casa Geraldo é a pioneira na produção de uvas da espécie Vitis vinifera, sendo a maior produtora de uvas da região e uma das maiores do estado de Minas. Tornou-se referência na região no âmbito turístico realizando visitas guiadas aos parreirais e nas instalações da vinícola. A Casa dispõe de um auditório onde o visitante pode conhecer um pouco da sua história, um pequeno bar, um restaurante preparado para realização de festas e onde em algumas ocasiões especiais são realizadas noites temáticas com muita comida e músicas típicas, como: a Festa do Espumante, Noite Italiana, Hola Espanha, entre outras. O local ainda oferece uma sala de degustação onde são ministrados cursos e uma adega sensacional.


Durante a nossa visita à fazenda, percorremos a linha de produção e engarrafamento dos vinhos espumantes e passamos por um túnel que parecia uma entrada medieval onde são estocados os melhores e premiados vinhos da vinícola. Claro que durante todo o trajeto estava liberada a degustação.

Depois desse momento de aprendizado, voltamos à rota original. Ainda bem que ninguém saiu trançando as pernas pelo caminho. Né pessoal?


Esse trecho da rota é considerado difícil por passar pela Serra dos Lima e por Barra, já na divisa com a cidade de Ouro Fino.

Foi uma caminhada forte com subidas e descidas quase intermináveis para depois ter mais subida de novo. O esforço exigido para vencer as ladeiras era recompensado pelas paisagens que nos cercavam. Altas montanhas rochosas, picos altos cercados de muito verde, um rio aqui outro ali cortando os vales e fazendas.

Nossa segunda parada foi na pousada da Dona Natalina para mais uma carimbada no passaporte. A Dona Natalina é uma senhora simpática que nos atendeu com a alegria característica que só o povo mineiro tem.


Depois de mais um carimbo, seguimos em frente subindo a estrada em direção ao próximo ponto de registro.

Vale lembrar que o tempo estava fechado anunciando que cairia uma chuva daquelas a qualquer momento e se isso acontecesse nossos carros de apoio poderiam ficar presos no meio do nada, sem muita expectativa de resgate, então sem perder muito tempo, aceleramos nosso passo até chegar à Pousada Bar do João para carimbar nosso passaporte pela terceira e última vez no dia, mas não foi o ponto final da caminhada.

Conversando com os moradores locais descobrimos que aquele trecho foi alagado pelas fortes chuvas que caíram na semana anterior a nossa passagem e que os carros de apoio não teriam condições de subir a estrada da serra que dividia o vale. Por sugestão deles nossos carros deram a volta na serra para aguardar os caminhantes do outro lado já no bairro de Taguá, mas para os caminhantes restava encarar a subida da tal estradinha. Eita subida danada de puxada! Quando se pensava que tinha acabado, ela fazia uma curva e subia mais ainda.


Durante a subida fomos confirmando que as informações dos moradores não eram exageradas. Tinha muito barro, pedras soltas, buracos de erosão e até alguns galhos caídos. Perto do final da serra encontramos uma pequena e bem vinda cachoeira, mas resolvemos não entrar, pois a água estava barrenta e ainda tinha muito chão pela frente.

Após a cachoeira subimos mais um trecho de serra até atingir o ponto mais alto desse percurso. Para nossa sorte havia uma lanchonete aberta lá no alto. Paramos por uns minutos para recuperar o ar e as forças nas pernas e começamos a descida para o bairro de Taguá.

Aquela descida parecia não ter fim. Do alto da serra dava para ver ao fundo uma vila que provavelmente é o Distrito de Crisólia, mas só vamos confirmar na próxima etapa.


De Andradas até o bairro de Taguá foram 31 quilômetros percorridos.

Como sempre, rimos muito (acho que dessa vez um pouco mais por causa do vinho lá do começo).

Agora é só aguardar pelas histórias da próxima etapa.

Caminhantes: Adriana e Argeu Alamino, Cris Senkiw, Jane Ribeiro, Marco Lasinskais, Marcos Roberto, Marcos Tsuda, Marilice R. Carral, Val Martini, Wilma Custódio e Seu Carlos Tsuda.